Monthly Archive for julho, 2010

“A Copa pôs a África no mapa”, diz mulher de Mandela


20/07/2010 – 00h01

Georgina Higueras
Em Madri (Espanha)

A entrevista transcorre tranquilamente até que chega a pergunta sobre a Copa do Mundo de Futebol. Então Graça Machel, casada com Nelson Mandela em 1998, ri, gesticula e procura um adjetivo grande para enfeitá-lo com outro maior e a resposta sai com o brio de uma torrente: “Se foi positivo para a África do Sul? Oh! Claro que sim! Foi fantástico, extraordinário. Mudou a percepção que se tinha do país muito mais do que todos os discursos e as fotos. Mais que tudo. As pessoas vieram, viram e se convenceram. É o segundo milagre que vive o país. Depois do fim do ‘apartheid’, é o melhor que aconteceu à África do Sul”.

“Foi impressionante, e não só porque foi muito bem organizado, mas porque tudo saiu bem. Os transportes funcionaram, apesar de todo mundo ir de uma cidade para outra. Houve menos criminalidade e até menos acidentes de trânsito. Foi a atitude das pessoas que conseguiu o êxito. O entusiasmo com que todos apoiaram”, afirma essa ativista pelos direitos da infância, que continuou na África do Sul o trabalho que realizou em seu país natal, Moçambique, ao se tornar independente de Portugal em 1975. Então se transformou em ministra da Educação, além de primeira-dama, pois era casada com Samora Machel, o primeiro presidente do Moçambique independente, que morreu em 1986 em um estranho acidente de avião.

“A Copa pôs a África no mapa”, continua a prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional em 1998. “Os europeus que tinham voltado seu olhar para a Ásia encontraram a África e viram que é um bom lugar para seus investimentos e que os lucros podem ser maiores do que o esperado”, afirma Graça Machel, que passa rapidamente pela saúde de Mandela, afetado pela demência senil. “Para ter 92 anos, está ótimo. Foi muito feliz nos minutos em que estivemos no estádio.”

A pergunta sobre se o que conseguiu nesses dias tem seguimento obscurece por um instante sua paixão: “O grande desafio é como manejaremos o futuro”, responde. E volta imediatamente a seu tom positivo: “O mundo viu que somos capazes e que podem confiar em nós”. E acrescenta: “Lembre: a primeira parte do século 21 pode ser da Ásia, mas a segunda não tenha dúvida de que é da África”.

A fundadora e presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Infância, em Moçambique, participou em Madri de uma reunião da ONU sobre os objetivos do milênio, antes da cúpula que se realizará em setembro em Nova York. Segundo Machel, por enquanto esses objetivos “não estão sendo cumpridos, porque nem as instituições globais nem os governos dos países doadores ou dos receptores realizaram os esforços necessários para alcançá-los”. Mas ela afirma que não se pode fazer uma crítica generalizada e colocar todo mundo no mesmo saco, porque alguns, tanto entre os doadores como entre os receptores, realizaram grandes avanços.

Para Machel, o objetivo que tem “maior risco de descumprimento” é exatamente o primeiro, que pretendia acabar com a pobreza e promover a agricultura para que os famintos não só saciassem seus estômagos com as ajudas como também fossem capazes de se autoabastecer.

“Para grande pesar meu, outro dos objetivos que corre grande risco é o da educação infantil”, salienta essa mulher empenhada em alfabetizar o mundo. Segundo Machel, em 2000 havia 100 milhões de crianças sem escolaridade e hoje, uma década depois, há 72 milhões. Por aí se vê que é muito difícil, “embora não impossível”, consegui-lo até 2015. “O investimento necessário é enorme, mas possível. O mais difícil é conseguir a vontade política para reunir todos os recursos necessários.” Nesse campo, ela aplaude a Espanha e a Holanda como principais doadores e os esforços realizados pelos países do norte da África e da América Latina.

Sem querer entrar na polêmica aberta pelo secretário-geral da ONU ao nomear o presidente de Ruanda, Paul Kagame – acusado de genocídio – copresidente da reunião em Madri, Graça Machel elogia os avanços realizados por esse país no empoderamento das mulheres, o terceiro objetivo do milênio que acredita que não se cumprirá, mas conclui: “Nenhum êxito tem sentido se não forem respeitados os direitos humanos”.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2010/07/20/a-copa-pos-a-africa-no-mapa-diz-mulher-de-mandela.jhtm

Falecimento do Sr. Romário Caxias

É com tristeza que comunicamos o falecimento do Sr. Romário Caxias,   batuqueiro de Capivari,   grande mestre e  companheiro de todos nós cachueirenses e ingomeiros. Seu Romário se encontrava doente há alguns meses e faleceu em sua casa hoje, domingo 18 de julho às 9 horas. Foi enterrado às 17 horas. É mais um mestre batuqueiro que se vai pra Aruanda,  e seu tambu mágico já soa naquelas paragens junto com o quinjengue inigualável do companheirão Diniz Osório ,  a matraca do  Belo ,  as modas do  Rei Domingos e de mestre Plínio , entre carreiras do Tiotóne. Que Romário e todos os grandes batuqueiros que já se foram e que tivemos a honra de conhecer nos inspirem e dêem força, de onde estiverem, a lutar pela continuidade do Batuque. A Seu Romário , nossas preces e o desejo de um caminho suave para a eternidade.

Paulo Dias 
Associação Cultural Cachuera!

Grupo Anima: notícias e convites

Mosta de filmes no Museu Afro Brasil sobre os negros nos Estados Unidos. Entrada franca

Pré-estreia do filme “A Guerra dos Vizinhos”

“A Guerra dos Vizinhos” é dirigido por Rubens Xavier, também diretor dos documentários Feiticeiros da Palavra e No Repique do Tambú, realizados pela Associação Cultural Cachuera!. O produtor Fernando Andrade é igualmente parceiro da Associação.

Desejamos uma otima estreia para o filme!

Seminário sobre direito autoral recebe Ministro da Cultura – 19/7, no Tucarena

Xamãs, artesãos e mestres da cultura popular serão professores da UnB

Universidade será a primeira no Brasil a ter uma disciplina baseada nos saberes tradicionais. Aulas devem começar no próximo semestre

Ana Lúcia Moura – Da Secretaria de Comunicação da UnB

Benki Pianko é um grande especialista brasileiro em reflorestamento. Maniwa Kamayurá conhece em detalhes as técnicas de construção indígena. Lucely Pio é capaz de identificar com precisão qualquer planta do cerrado. Mas o conhecimento de nenhum deles veio das salas de aula. Eles aprenderam o ofício com os avós e com os pais, e o repassam aos filhos, aos netos. No próximo semestre, porém, vão ensinar o que aprenderam também aos alunos da Universidade de Brasília.

Benki, Maniwa e Lucely serão professores de uma disciplina de módulo livre: Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. Benki, que é mestre do povo indígena Ashaninka, no Acre, Maniwa, pajé e representante dos povos indígenas do Alto Xingu e Lucely, mestre raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro, em Goiás, vão passar adiante o conhecimento acumulado durante mais de séculos nas comunidades onde cresceram e vivem até hoje. Benki e Maniwa são xamãs indígenas, líderes espirituais com funções e poderes ritualísticos. Lucely é mestre quilombola.

Além deles, serão também professores da nova disciplina Zé Jerome, mestre de Congado e Folia de Reis do Vale do Paraíba, em São Paulo, e Biu Alexandre, mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado, um dos tradicionais grupos folclóricos da Zona da Mata pernambucana, que reúne teatro, dança, música e poesia.

A criação da disciplina, que deve ter carga semanal de seis horas,  depende ainda de aprovação do Decanato de Ensino de Graduação. Ela faz parte de um projeto de introdução dos saberes tradicionais na universidade. “Queremos promover um diálogo, uma troca de conhecimentos”, explica o professor José Jorge de Carvalho,  coordenador do projeto e também do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa. “Os mestres que aqui estarão têm um modo de construir saberes que leva em conta não só o pensar, que é característico da cultura das universidades, mas também o fazer e o sentir”, completa o professor.

AVANÇO – O professor José Jorge destaca, no entanto, que a introdução dos saberes tradicionais não é uma negação da forma utilizada pelas universidades de produzir e transmitir conhecimento. “Pelo contrário. É uma soma. Sabemos coisas que os mestres tradicionais não sabem, assim como eles conhecem muito do que não conhecemos. A universidade pode ser muito mais rica do que é”, acrescenta. Cada mestre passará duas semanas na UnB e será acompanhado por um professor na sala de aula. “A universidade pode ser mais rica do que é. E, para isso, precisa fazer jus à riqueza de saberes que existem no Brasil”, completa o professor José Jorge.

O chefe do Departamento de Antropologia, Luís Roberto Cardoso de Oliveira, lembra que a criação de disciplinas de módulo livre, que permitem aos alunos contato com um conhecimento totalmente fora de sua área, foi um avanço. “E colocar os mestres frente a frente com os alunos e ao lado dos professores é uma proposta que vai ainda mais além”, comenta.

Para Nina de Paula Laranjeira, diretora de Acompanhamento e Integração Acadêmica do Decanato de Ensino de Graduação, a iniciativa por si só já demostra uma mudança nos modos de pensar. “Precisamos superar o paradigma de que o conhecimento está limitado à comprovação científica”, afirma.

TROCA DE SABERES – As bases pedagógicas e antropológicas da nova disciplina serão discutidas nos dias 15 e 16 de julho, como parte do seminário internacional que vai tratar da introdução de novos saberes nas universidades. “O método de transmissão dos mestres tradicionais é completamente diferente do nosso. O ideal para a raizeira Lucily, por exemplo, é ensinar caminhando pelo cerrado”, explica o professor José Jorge.

Organizado pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e Ministério da Cultura, o Encontro de Saberes vai reunir mestres indígenas e de atividades folclóricas, professores brasileiros e latino americanos, além de representantes do Governo Federal. No encontro, serão apresentadas experiências de universidades de cinco países da América Latina que desenvolvem projetos de inclusão de saberes tradicionais em seus cursos, disciplinas e programas de extensão. O seminário, que acontece no Auditório Dois Candangos, também será uma oportunidade para os novos professores conhecerem melhor a UnB.

Entre os palestrantes estão o reitor da Universidade Amawtay Wasi do Equador; Maria Mercedes Díaz, da Universidade de Catamarca na Argentina; Jaime Arocha, professor de Antropologia da Universidade Nacional da Colômbia; Carlos Callisaya, coordenador das Universidades Indígenas da Bolívia no Ministério da Educação boliviano e Maria Luísa Duarte Medina, que atua em projetos de inclusão dos saberes indígenas nas instituições de ensino superior do Paraguai. “A presença de cada um deles mostra que a inclusão dos saberes tradicionais na academia é um movimento cada vez mais forte”, afirma o professor José Jorge.

Fonte: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3584#

 

Concurso Nacional de Pesquisa sobre Cultura Afro-Brasileira, Comunidades Tradicionais e Cultura Afro-Latina

Inscrições até 16 de agosto

Constitui objeto do presente Concurso a premiação de monografias de conclusão de graduação e dissertações de mestrado que versem sobre Cultura Afro-Brasileira, Comunidades Tradicionais ou Cultura Afro-Latina.

Confira o edital e os anexos:

Edital

Anexo I – Formulário de Inscrição

Anexo II – Termo de Licenciamento de Direitos Autorais

As dúvidas referentes ao presente Concurso poderão ser esclarecidas através do endereço eletrônico premiopalmares2010@palmares.gov.br

Novos Diálogos Casa das Áfricas recebe o escritor Abdourahman A. Waberi

Nascido na República do Djibout, país da macroregião denominada “Chifre da África”, o romancista, ensaísta e poeta, brinda-nos com uma escrita rica em metáforas, paisagens, atualidades e críticas políticas. Em sua passagem pelo Brasil, a convite da Odun Formação e Produção no projeto Pilgrimages – que propõe a imersão de 14 escritores africanos nas complexidades de paisagens urbanas – o autor visita as cidades de Salvador e São Paulo. Neste encontro, conheceremos um pouco de seus itinerários já traçados e almejados. Contaremos também com a participação do comentarista convidado Allan da Rosa – escritor, historiador e organizador do selo Edições Toró, que realiza cursos independentes sobre arte e cultura africana e afro-brasileira nas periferias de São Paulo.

Local: Casa das Áfricas. Rua Eng. Francisco Azevedo, 524, Sumarezinho (próximo ao metrô Vila Madalena), fone: 3801-1718.
Dia: 05 de julho.
Horário: 17hs. Entrada franca.

Bibliografia do autor:
Aux Etats Unis d´Afrique – 2006
Le pays sans Ombre – 1994
Cahier Nomade – 1996

Site Monabantu MG

NGUZU!!!!

saite novo   MONABANTU/MG  www.monabantumg.com.br

Fonte: Rede Monabantu – Movimento Nacional Nação Bantu

Prorrogada a data para inscrições ao Edital 22 anos da Palmares

As inscrições para o Edital de Celebração dos 22 Anos da Fundação Cultural Palmares foram prorrogadas até 9 de julho. O Edital é uma oportunidade democrática para quem faz a cultura afro-brasileira, em todo o país, participar da elaboração e realização de eventos artísticos comemorativos ao aniversário da Palmares.

O Edital prevê a seleção de seis projetos vinculados ao tema Construindo Redes de Diálogos – Reais e Virtuais – com a Cultura Afro-brasileira, a serem realizados nas cidades de Maceió(AL), Rio de Janeiro(RJ), Salvador(BA), Porto Alegre(RS), São Luís(MA) e São Paulo(SP). Cada projeto escolhido será contemplado com R$ 100.000,00.

Veja também: Fundação Palmares lança edital

Fonte: Aruanda Mundi

II Festival do Filme Etnográfico do Recife

Os Programas de Pós-Graduação em Antropologia e em Comunicação Social da UFPE abriram as inscrições para o II Festival do Filme Etnográfico do Recife. O evento vai premiar produções cinematográficas/videográficas, produzidas a partir de 2008, que apresentem qualidade técnica reconhecida na área.

Poderão ser inscritas, até o dia 31 de julho, produções nacionais e internacionais de documentários, que abordem questões socioculturais contemporâneas sobre pessoas, coletividades, grupos sociais, processos históricos com temas de interesse antropológico.

O II Festival, que se realizará 27 a 30 de setembro de 2010, tem o apoio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e será realizado na Sala de Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby, em Recife. O regulamento e o formulário de inscrição encontram-se no seguinte site:http://www.filmedorecife.com.br.

Outras Informações

Laboratório de Antropologia Visual
(81) 21268286