Lançamento do Caderno Cenpec de Educação e Cultura

Reflexões sobre as interfaces entre educação e cultura – tema do Caderno Cenpec nº 7 – marcaram o evento de lançamento da publicação, realizado na manhã de ontem (22) no Sesc Vila Mariana, em São Paulo (SP). A cada edição, os Cadernos Cenpec reúnem artigos teóricos e relatos de experiências sobre temas relevantes no campo da educação e cultura. Este número traz artigos assinados por Célio Turino, Marta Porto, Danilo Miranda e Alfredo Manevy, entre outros, e relatos de experiência dos pontos de cultura Conexão Filipe Camarão, Fábrica do Futuro e Fundação Casagrande.

Em sua fala de abertura, a superintendente do Cenpec, Carminha Brant, reforçou a importância do tema para a instituição. Lembrou ainda que o lançamento de mais um Caderno Cenpec vai ao encontro de um dos princípios que vem norteando a atuação da instituição: a disseminação do conhecimento produzido a partir da experiência. “Pesquisamos a partir da ação. Toda produção [desse caderno] vem dos projetos que temos na área da educação e cultura”, salientou Carminha, mencionando como exemplos o Prêmio Cultura Viva e o projeto Educação com Arte.

O secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, José Luiz Herencia, elogiou a iniciativa e a qualidade dos textos presentes no Caderno, que possibilitam um “debate qualificado” do tema. Aproveitou a sua fala para comentar a discussão em torno da questão dos direitos autorais, cuja lei passa por revisão (o texto se encontra aberto para consulta pública até 28 de julho). “A legislação atual se interpõe como um obstáculo ao exercício pleno do direito à cultura”, enfatizou. “É preciso modificar as relações de propriedade sobre os bens culturais”.

Maria Alice Oieno Nassif, gerente de programas socioeducativos do Sesc, também destacou a importância do tema educação e cultura para a instituição. “Essa Caderno tem 100% a ver com a ação do Sesc em toda a sua rotina, em todas as suas unidades. Estamos muito felizes de receber o evento de lançamento dessa publicação, que com certeza será de grande utilidade para todos nós”, afirmou.

O professor Renato Janine Ribeiro, autor de um dos artigos do Caderno, falou sobre a experiência democrática de cultura. Lembrou que antes da Constituição de 1988 os analfabetos não tinham direito a voto. Desse modo, a cultura era utilizada para manutenção do status quo.

Respondendo a uma pergunta da platéia, criticou o acúmulo de papéis atribuídos à escola. “Vejo uma preocupação, boa até, de alguns setores de dar uma nova missão à escola. Eu me pergunto se dar novas missões à escola, quando ela nem cumpre suas missões básicas, é bom”, questionou, citando como exemplo as leis que determinam o ensino de cultura e história afro e indígena e de sociologia e filosofia. “Os professores estão mal preparados, assoberbados e os alunos pouco interessados até pelo que é básico. Quando temos alunos que terminam o Ensino Médio mal alfabetizados, com domínio mínimo de matemática, acho complicado colocar mais conteúdos”.

Fonte: Cenpec – http://www.cenpec.org.br/modules/news/article.php?storyid=1015

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